Benfica

Luisão volta à carga no caso Prestianni: «O Benfica vive uma crise moral

Antigo capitão das águias diz que o clube não mostrou "interesse genuíno em apurar os acontecimentos após uma denúncia tão grave"

Luisão, antigo central e capitão do Benfica, voltou à carga nesta quinta-feira com mais críticas à postura do Benfica no caso dos alegados insultos racistas de Prestianni a Vinícius Jr. no jogo da Luz. “Não posso esconder a minha preocupação diante da postura adotada pelo clube nas acusações de racismo feitas por Vini Jr. a um dos nossos atletas. Para o meu espanto, a reação institucional foi de adesão imediata ao discurso do jogador acusado, sem que, aparentemente, houvesse qualquer interesse genuíno em apurar os acontecimentos após uma denúncia tão grave”, começa por escrever o brasileiro num longo post no Instagram.

“O uso da imagem de Eusébio, nossa maior lenda, como um escudo que supostamente blinda o clube de ser falível no combate ao racismo foi no mínimo doloroso, assim como as inúmeras tentativas de descredibilizar a vítima”, prosseguiu Luisão, acrescentando: “O Benfica sempre foi maior do que qualquer circunstância, qualquer jogador, dirigente ou momento. Sempre se apresentou como uma instituição de valores, de dimensão humana e de responsabilidade histórica. Foi assim que eu aprendi e que vivi desde o momento em que cheguei à Luz, em 2003, quando o clube vivia uma de suas maiores crises desportivas.”

No entender de Luisão, o clube da Luz vive “um outro tipo de crise, muito pior, porque é moral”. “Do lado de quem estamos? E, mais importante ainda, do lado de quê estamos? O que defendemos nas nossas vidas? Queremos realmente enfrentar o problema de frente ou só desejamos convenientemente varrê-lo para debaixo do tapete?”, questionou o antigo capitão das águias, frisando: “Neste momento, é isso que está verdadeiramente em debate. Não se trata de rivalidades, de proteger A ou B. Trata-se de princípios. Racismo não é opinião. É uma chaga que precisa ser combatida com firmeza e responsabilidade, e talvez, como sociedade, o primeiro passo seja o mais difícil: olharmos no espelho e examinarmos nossas consciências.”

A extensa mensagem do antigo internacional brasileiro, de 45 anos, considera que “é doloroso ver este gigante, por natureza e por história, sofrer nas mãos de quem aparentemente tenta apequená-lo moralmente. O Benfica que eu conheci e defendi dentro de campo sempre esteve do lado certo da história”, referiu, finalizando: “O tempo se encarregará de mostrar, com plena justiça, quem esteve de que lado das trincheiras. E eu espero, sinceramente, que estejamos à altura da grandeza que sempre nos definiu.”

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